ANIVERSÁRIO E PROJETOS

“As coisas são como são. Por isso mesmo assim não ficarão.” Bertolt Brecht

Há um ano, no dia 5 de abril, eu completava 56 anos anunciando que iniciaria o Luminares, um blog onde o assunto seria cultura. Um ano depois, cheguei aos 57 e o https://luminares.site/ está no ar de sua graça.

A cultura como modo de vida, a diversidade cultural e o aprofundamento da democracia, os fazeres artísticos, as pedagogias arte-educativas, a cultura na comunicação, a gestão pública da cultura como alternativa para a qualidade de vida nas cidades, são temáticas desse blog. Procuro dar a elas um tratamento de pesquisa e profundidade. O Luminares é como um presente que dei a mim mesmo, mas que só faz sentido porque é compartilhamento de informação e conhecimento.

Falando em compartilhar, fazendo meus 57 e compartilho com os que fazem arte e trabalham com cultura a recente série de artigos orientando a elaboração de projetos, publicados no blog. São ao todo seis artigos. Apresento um relato do que trata cada um, com o link para a leitura completa. Nesses dias de reclusão preventiva, espero que essas indicações ajudem nossa preparação para os novos dias. Lembro também que vários editais de patrocínio estão sendo lançados agora. Então, tenham uma boa leitura e mãos à obra. Vamos projetar!

O primeiro artigo marca a importância do projeto como planejamento, como desafio para superar limites, ampliar horizontes, qualificar a ação cultural e atender aos objetivos maiores de prover acesso das pessoas à diversidade criativa. Lembra que não basta ter uma boa ideia ou uma ação cultural promissora e considerá-las, em si mesmas, merecedora de aprovação em processos de seleção. Uma boa ideia e uma boa prática não são projetos. São as sementes do projeto.

No segundo artigo, falo da incubação de projetos, ou seja, do preparo para seu nascimento; a técnica que os proponentes devem dominar para planejar bem. O ciclo de vida de um projeto comporta seu planejamento, elaboração, desenvolvimento e pós-produção, ou conclusão. E a incubação significa levar tudo isso em conta ao planejar.

No terceiro artigo, falo dos mapas que ajudam o planejamento do projeto a tecer o caminho do lugar onde estamos para o lugar onde desejamos. Sugiro aos planejadores a elaboração de dois mapas: o mapa dos desejos e o mapa das demandas. O primeiro organiza nossa vontade e nossas potencialidades. O segundo organiza aquilo que esperam de nós os editais de fomento, a sociedade, a comunidade, as circunstâncias histórico-culturais, os patrocinadores, etc. Esses mapas são nossos localizadores.

O quarto artigo vai ao coração do planejamento. Trata da projeção estruturante, que define o projeto a partir de uma sequência de preocupações a serem respondidas. Elas cobrem vários aspectos: 1) As características da ação cultural, com suas fases, pontos críticos, públicos visados e parcerias necessárias; 2) A equipe, as qualificações e a preparação; 3) O sistema de avaliação previsto para as atividades; 4) estratégias e formas de comunicação; 5) A pós-produção, com avaliação final e projeção do futuro do projeto e 6) A clareza e preparo na busca por patrocínio.

A redação do projeto cultural é o tema do quinto artigo. É assunto que muitos consideram bicho de sete cabeças. Dou dicas para organizar os argumentos e redigir, com base em três perguntas: O que se pretende fazer? Como fazer? Por que fazer? Geralmente essas são as perguntas que motivam a estrutura dos formulários para apresentação de projetos, nos vários editais.

No sexto artigo, falo da importância de pensar a comunicação ao planejar o projeto. A comunicação é proposta como parte intrínseca do projeto, para que os potenciais da cultura na vida das pessoas e os fazeres culturais possam ser conhecidos e reconhecidos. Dou dicas sobre como pensar e organizar a comunicação.

Então é isso, pessoas queridas. Estou feliz em oferecer o que depurei como gestor, pesquisador e consultor cultural. E desejo que venham outros muitos, claro, para vivermos com arte, como propunha o Senhor Bertolt Brecht.

Meu abraço, gente